sábado, 10 de outubro de 2009

Somos Discípulos Missionários de Cristo.

Entramos no mês de outubro, celebrando a festa da Santa Terezinha de Lisieux, lembramos as Santas Missões, porque ela foi escolhida como protetora das Missões. Esta pequena Santa, proclamada no dia 19 de outubro de 1997 Doutora da Igreja, nunca saiu do Carmelo, do convento e, no entanto, sempre esteve ligada ás missões e com os missionários no mundo inteiro. Oferecia as suas intensas orações, sacrifícios e sofrimentos pelas missões, para que Jesus Cristo fosse conhecido e amado. Morreu na flor de idade, aos 24 anos de vida e menos de dez do Carmelo.
A sua principal preocupação foi encontrar para si o lugar na Igreja, a fim de ser um membro vivo e atuante no Corpo de Jesus que é a própria Igreja. Como ela mesma relata na sua autobiografia, angustiava-se buscando um lugar adequado á sua vocação. Ao meditar a Palavra de Deus, especialmente as Cartas de São Paulo, encontrou por fim o que procurou. Descobriu que em cada membro da Igreja, para que se possa atuar com eficácia é preciso que seja alimentado e motivado pelo amor. Assim meditando, descobriu que o lugar onde era possível estar em todos os membros da Igreja é o amor. Foi alivio para ela, mas a partir deste este instante, entregou-se amorosamente ao serviço do Senhor os irmãos. Quantas coisas bonitas e verdadeiras nos revelam as almas simples e puras! Mas só depois da sua morte prematura, e alcançando a plenitude de felicidade no céu, começou realizar a sua missão que prometera: mandarei lhe-a “chuva de rosas” em benções e milagres, operados por Deus, a seu pedido. Como Monja Carmelita, durante a sua curta vida curta monástica nunca saiu do claustro. Porém agora, após a sua morte, as suas relíquias peregrinam pelo mundo, animando os missionários e missionárias até mesmo entre nós, pois já veio mais de uma vez ao Brasil.
A Santa Terezinha por sua dedicação e amor pelas missões e missionários, foi proclamada como protetora das missões.
É muito oportuno lembrar esta pequena, mas Grande Santa, Doutora da Igreja, precisamente aqui na América Latina, quando depois da V Conferência de Aparecida o continente está vivendo o anseio pelas Santas Missões. A V Conferência de Aparecida convida a todos, principalmente os sacerdotes, religiosos e religiosas, e os agentes de pastoral para uma maior aproximação e intimidade com Jesus. Levar as pessoas ao encontro com o Jesus é a missão. É o fim último de toda a evangelização.
Ser discípulo de Jesus é seguir os passos de Jesus, aprender dele: “viver como Jesus viveu, amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou” (Pe. Zezinho) É a missão. O novo e característico rumo da Conferência de Aparecida, que se evidenciou no Documento Conclusivo foi, sublinhar o primazia da missão. A missão esta voltada primeiramente para os cristãos. O inicio da verdadeira evangelização é fazer-se discípulo de Jesus convicto, amante e contagiante para depois levar esta experiência de Deus aos outros. Só assim poderemos conquistar o mundo e mudar a sua face, principalmente aqui na América Latina. Por isso no documento, por mais que se fala da missão em todo o continente, só num ponto fala da missão continental. (551). Esta missão continental, “procurará colocar a Igreja em estado paramente de missão”. O documento aconselha ainda “Levemos nossos navios mar adentro, com o poderoso sopro do Espírito Santo, sem medo de tormentas, seguros de que a Providência de Deus nos proporcionará grandes surpresas”. (DA 551). O Papa, no seu discurso inaugural da Conferência em Aparecida, aponta como campos prioritários da missão: a família, os presbíteros, os religiosos (as) e consagrados (as), os leigos e os jovens e a pastoral vocacional.
Assim, neste momento a Igreja entra em estado permanente de missão. O Documento de Aparecida não fala em discípulos “e” missionários, mas em “discípulos missionários”, pois o discipulado é seguimento de Jesus, enquanto continuação de sua obra. “A missão não é uma tarefa opcional, mas integrante da identidade cristã”. A comunhão é missionária e a missão é para a comunhão. Portanto, missão não é campanha, mas um estado do ser cristão. Com isso, a proposta da “missão continental” perdeu força, na medida em que, se ela acontecer, só será continental, enquanto for assumida e realizada em todas as Igrejas Locais. (Agenor Brighenti - Critérios para a leitura do Documento de Aparecida).
A alma da Igreja é ser missionária. O Papa Paulo VI na Exortação Apostólica “Evangeli Nunciandi” disse que se tirar a missionariedade da Igreja tiramos dela a sua alma. “Nós queremos confirmar, uma vez mais, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja (...) Evangelizar constitui de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição”.
(EN 14). Este conceito da missão o Documento de Aparecida reforça e aplica para os já batizados e engajados na Igreja.
Que Santa Terezinha nos anime com o seu exemplo ser discípulos missionários de Jesus Cristo.

Dom Ceslau Stanula CSsR
Bispo de Itabuna

Nenhum comentário:

Postar um comentário