O mês de setembro está dedicado há alguns anos no Brasil, para o estudo da Sagrada Bíblia. Este mês foi escolhido como mês da Bíblia por causa da festa de São Jerônimo que celebramos no dia 30 de setembro, e que foi o grande estudioso da Bíblia, inteligente, filósofo, capaz de pensar e falar em latim, grego e hebraico. Ele foi o primeiro a traduzir a Bíblia para a língua latina, a língua falada naquela época no império romano. A sua tradução se chama Vulgata, quer dizer traduzida para a língua do povo.
Neste momento não falo o que é a Bíblia, o que significa a palavra Bíblia, porque sabemos que é uma coleção de livros inspirados por Deus. Tampouco quero me deter da importância da Bíblia como Palavra de Deus, inspiradora e orientadora da nossa vida. Quero falar do primeiro Livro da Sagrada Bíblia que é o Livro de Gênesis.
Livro de Gêneses foi escolhido este ano para o estudo e aprofundamento neste mês de setembro. O que significa palavra Gêneses? Gênesis é o primeiro livro da Bíblia. Faz parte do Pentateuco, isto é, os cinco primeiros livros da Bíblia, cuja autoria é, tradicionalmente, atribuída a Moisés. Gênesis significa “Origem, Nascimento, Fonte” - é o nome dado pela Septuaginta, (tradução feita, por setenta autores, por isso chamada Septuaginta). Em hebraico este primeiro livro, se chama Bereshit - No Princípio - e seu título hebraico Bereshit é tirado da primeira palavra inicial do livro. O livro começa: “Bereshit bará Elohim...”.
Se olharmos primeiros 11 capítulos de Gênesis, podemos observar que são como a introdução a toda a Bíblia. Estes capítulos ultrapassam o tempo e o espaço da história. Eles nos respondem a eterna pergunta: de onde veio este mundo? Quem é o autor do mundo e das pessoas humanas?
O primeiro capítulo descreve de forma detalhada e pitoresca a criação do mundo. O autor sagrado coloca a obra criadora do mundo dentro dos dias da semana. Foram sete dias que Deus “gastou” para realizar a sua obra. Começou do céu, depois a terra, depois povoou a terra e os mares com seres vivos, criou os alimentos para estes seres, para finalmente criar, de uma forma solene o homem e a mulher. Depois da obra criadora “Deus descansou” e “... contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).
Como entender a narração da criação do mundo em sete dias? Claro que não se trata de uma criação “as prestações”. É uma forma mais clara e mais adequada, que o autor encontrou para transmitir a única verdade: tudo vem de Deus, Deus é o autor e a origem de tudo o que existe. Esta é a principal e essencial verdade transmitida para nós neste capítulo. Se Deus criou tudo de uma vez, ou criou algum núcleo e o colocou em evolução, não tem importância para o autor Sagrado. Para ele o importante foi sublinhar que tudo, mas absolutamente tudo tem a sua origem, o seu autor principal o Deus Criador. Deus não criou o mundo “aos poucos”. Até porque em Deus não existe tempo, não existe “ontem” nem “amanhã”, para Deus é tudo “agora”. Esta forma foi mais adequada para apresentar e ressaltar a senhoria de Deus sobre toda a criação. Ele é o Criador.
Além de transmitir a origem e a autoria de todo o criado, os primeiros capítulos do Gênesis nos transmitem a grande verdade, que o homem e a mulher foram criados por Deus. Mais ainda, que na criação do homem e da mulher Deus teve uma intervenção especial – ele lhes criou o espírito, o que nos chamamos à alma. Diz a Bíblia: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher” (Gn 1,27). Esta imagem de Deus se expressa nas pessoas na sua inteligência, sua vontade. O homem e a mulher podem raciocinar, amar, escolher. Estas são as faculdades espirituais do homem e da mulher. Esta é a diferença entre os animais e as pessoas humanas. Por isso ao criar o homem e a mulher Deus disse: “Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gn 1,28). Assim o homem e a mulher criados a imagem e semelhança de Deus são convidados para a administração do mundo. Dominar, explorar, respeitar a natureza, segundo o plano de Deus é a grande missão das pessoas na terra.
Os primeiros capítulos da Bíblia são uma grande catequese de importância capital, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica. Eles nos dão a resposta às grandes perguntas da humanidade: De onde viemos? Para onde vamos? Qual é a sua origem? Qual é o nosso fim? De onde vem e para onde vai tudo o que existe? Porque estas duas questões de origem e do fim são inseparáveis. (Veja Catecismo da Igreja Católica nº 282).
Com a Bíblia na mão encontraremos as respostas certas a estas questões existenciais.
Dom Ceslau Stanula CSsR.
Bispo de Itabuna.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Agosto mês vocacional
Mês Vocacional
O mês de agosto, para a Igreja no Brasil, é o mês dedicado à reflexão e oração pelas vocações em geral e também pelas vocações específicas, que são a vocação sacerdotal e religiosa.
Cada pessoa está chamada a cumprir uma missão na Igreja e na sociedade. Cada pessoa tem o seu papel insubstituível na Igreja e na sociedade. Para cumprir este papel recebe de Deus uma vocação especial. E assim, para que a humanidade possa crescer e se desenvolver, Deus chama as pessoas para a vida matrimonial e lhes dá uma graça especial para que possam cumprir a sua missão principal de gerar e educar os filhos. Para que não falte na Igreja os missionários e as missionárias, Deus chama as pessoas para a vida religiosa e missionária. Para que não falte na Igreja Eucaristia e os que administrem sacramentos, que são as graças especiais de Deus as quais acompanham a vida do cristão, isto é, Deus chama para a vida sacerdotal.
Assim na grande família de Deus que é a Igreja, todos têm a sua função, sua missão e cada um e cada uma é insubstituível. Se alguém se omite, seu lugar fica mesmo vazio e a família que é a Igreja fica enfraquecida.
A primeira e comum vocação para todos é ser discípulo de Jesus Cristo. Esta vocação foi sublinhada bastante na Conferencia de Aparecida. Pelo batismo somos chamados a conhecer mais a pessoa de Jesus Cristo, conhecer melhor a sua vida e sua missão, e deste maior conhecimento de Jesus nascerá o amor e adesão a sua pessoa. Olhando a pessoa de Jesus, acolhendo a sua palavra, experimentando a sua proximidade no do dia a dia, conheceremos mais o amor misericordioso de Deus que se revela no seu Filho Jesus.
Todos os cristãos são chamados a esta experiência de Deus, isto é a santidade. Santidade é uma total realização e felicidade pessoal. A plena felicidade e realização pessoal são possíveis alcançar só na união com Deus que nos criou.
Mas existe também a vocação específica para os ministérios ordenados. Estes são diáconos, sacerdotes e bispos. É uma vocação especial para a função especial na sociedade, a vocação para o serviço.
E assim, os diáconos são chamados e recebem a consagração especial para o serviço da caridade. Os Apóstolos, a se dedicarem livremente e unicamente a pregação da Palavra de Deus sem deixar os necessitados e as viúvas abandonadas, escolherem sete homens prudentes, para este serviço. Impuseram sobre eles as mãos e assim os destinaram para o serviço da caridade em estrita união com os apóstolos. (At. 6,4-7)
Os sacerdotes são colaboradores no múnus episcopal dos bispos na pregação e santificação do povo. São eles que fazem a Eucaristia, que celebram a Santa Missa, que administram principais sacramentos como reconciliação. E os bispos, que devem ter, a vocação para governar, santificar e ensinar as comunidades na fé. Por isso, segundo a mais antiga tradição da Igreja Católica, onde está o Bispo é ele que preside a comunidade, onde está o bispo está a comunidade. Santo Inácio de Antioquia no século I, dizia: “tudo com o Bispo e nada sem o Bispo”.
Assim então os ministros ordenados – bispos, sacerdotes e diáconos -, têm a missão de estarem à frente das comunidades, e desempenhem a sua missão em nome de Jesus Cristo. Ministros ordenados são discípulos e missionários de Jesus Cristo para servir a comunidade. Ser bispo, padre, diácono, não é “status”, mas é o humilde serviço à comunidade. Por isso na Igreja não existe o poder no sentido laico da palavra, o poder na Igreja, a hierarquia na Igreja é o serviço: “Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos”. (Mc 10.45).
Mas para que não faltem servidores da palavra, orientadores da comunidade e servidores da caridade, o próprio Jesus recomenda: “Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe” (Mt. 9, 38).
A Diocese de Itabuna tem o Seminário Maior onde os jovens se preparam para serem orientadores do povo – sacerdotes. Passam anos no seminário, na escola de Jesus para aprender compreender o povo e lhe servir tanto na mesa da palavra - pregando, ensinando - como na mesa da Eucaristia - celebrando a Santa Missa, distribuindo a Eucaristia, e confortando na caminhada pelos sacramentos.
Rezemos pelos seminaristas, rezemos para que Deus suscite muitas e santas vocações sacerdotais e religiosas. Colaboremos também materialmente na manutenção e formação dos mesmos.
Dom Ceslau Stanula CSsR
Bispo de Itabuna.
sábado, 14 de agosto de 2010
A Vocação Religiosa
A Vocação Religiosa é um dom para a Igreja e um sinal para o mundo. Os religiosos são consagrados a Deus para servi-lo e para servir os irmãos e irmãs. Este serviço se dá através de um jeito próprio, ou seja, de acordo com o Carisma de cada Congregação religiosa e de cada membro da mesma como um dom, como um modo próprio de ser e agir. Esse dom dado pelo Espírito torna a pessoa apta a realizar determinada missão.O jovem vocacionado ingressa em uma família religiosa conforme o carisma pessoal e de acordo com o Carisma da Instituição que ele escolhe para uma missão específica.
Os Religiosos são homens e mulheres que ouviram um dia o chamado de Deus para colocarem suas vidas a serviço, em total entrega a Deus e aos irmãos e irmãs. São chamados a deixarem tudo: casa, família, propriedade, bens, e livremente ingressam numa Congregação ou Ordem religiosa. Professam os Votos de pobreza, castidade e obediência.
Pobreza aqui quer ter o significado de capacidade de desprendimento de si mesmo, não ter nada de próprio, para que, livre dos bens materiais, na liberdade interior, possa ter Deus como o Tudo, único bem, o Absoluto de sua vida.
Castidade é, além da renúncia livre do matrimônio, ser capaz de ofertar seu coração e todo o seu ser a Deus, numa abertura de amor mais ampla, livre, um amor oblativo, a Deus e nele, a todas as pessoas, numa entrega amorosa na missão que assume como projeto de Deus para sua vida.
Obediência: Busca constante da vontade de Deus, para melhor servir. A obediência a Deus passa por mediações: A Igreja, a Congregação religiosa na pessoa dos superiores e à fraternidade.
Ela se dá através de um íntimo relacionamento com Deus, na abertura e confronto aberto, maduro e sincero entre os membros.
A Origem da Vida Consagrada
O Fundamento da Vida Consagrada é Jesus Cristo. Ele que sendo de condição divina não quis viver segundo a glória que tinha, mas se esvaziou, veio a este mundo, tornando-se um de nós, e em atitude de humildade se entregou até à morte e morte de Cruz (cf fil 2, 1-11s). É Ele próprio quem faz apelo para o seu seguimento: “Jesus subiu ao monte e chamou os que Ele quis escolher e foram até Ele” ( Mc3,13); Constituiu o grupo dos doze para que ficassem com Ele... e os enviou a pregar, com poder de expulsar os demônios e realizar a mesma missão que Ele realizava.
Além do apelo aos discípulos e aos doze, lança convite ao jovem rico, e como condição da vida em perfeição manda deixar tudo, vender os bens e dar aos pobres, isso seriam as condições para o seguimento. E Fala de alguns que renunciam à vida conjugal e abraçam o celibato por causa do Reino de Deus (Mt 19, 12 a 21).
Também São Paulo Apóstolo fala que escolheu viver sem casar para facilitar a missão (1cor 7, 7)
Nos primeiros tempos do Cristianismo temos o testemunho de homens e mulheres que viviam sem casa em vida de oração e serviço a Deus e aos pobres, bem como o testemunho dos mártires e das virgens que escolhiam morrer preservando a virgindade.
A Vida Religiosa surge como sua primeira forma, no séc III e IV com os Monges do Deserto que buscam viver em oração,silêncio, penitência, jejum e trabalho (Santo Antão, São Basílio, São Pacômio), Mais tarde, São Jerônimo, Santo Agostinho, São Bento. No Séc.XII e XIII São Francisco de Assis e São Domingos, chamadas Ordem dos Mendicantes e a Ordem Feminina, com Santa Clara de Assis.
Assim a Vida Consagrada se expandiu sempre mais através das Congregações Religiosas de Vida contemplativa e ativa. Hoje a ela é chamada a viver sempre mais comprometida com o profetismo, no anúncio, na denúncia, na renuncia e no testemunho, assumindo a fidelidade dinâmica e criativa que lhe é própria, vivendo a radicalidade do batismo, dentro dela mesma, na Igreja, na sociedade através de sua opção preferencial, audaciosa e atualizada pelos empobrecidos e excluídos da sociedade,vivendo a missão de Jesus, sendo sinal para o mundo, anunciando o Reino de Deus. Por sua natureza ela é profética e sempre é chamada a radicalizar seu jeito de viver e anunciar o Evangelho com seu próprio jeito de ser.
É Jesus a sua força, seu sustento, seu alento, sua luz; por isso o Consagrado busca na palavra de Deus, na oração contínua e na Eucaristia o vigor e as graças necessárias para continuar servindo a Deus e aos irmãos e irmãs com alegria, coragem e esperança
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