quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Parabéns os crismados

A crisma é o sacramento de adultos,de pessoas responsáveis,que querem renovar sua fé em cristo,participar da vida da comunidade e realizar serviços em favor dos irmãos,em vista da construção do reino de Deus.O bispo,pastor visível de nossa igreja,transmitir os crismandos o Espírito Santo com a imposição das mãos e a unção com o óleo de oliveira.
"Que Jesus o mergulhe no esplendor  de sua imortal Juventude" Pe.Pio

Louvemos e agradecemos ao bom Deus por todos os crismados e clamamos que os dons do Espírito Santo Temor de Deus,Piedade ,Fortaleza,Conselho,Ciência, Inteligência,Sabedoria  estejam sempre com vocês.
Que a benção de Deus todo-poderoso caia sobre vocês Pai.e filho + e o Espírito Santo.Amém
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 24 de junho de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir o discurso pronunciado hoje por Bento XVI diante dos peregrinos congregados na Praça de São Pedro para a audiência geral de quarta-feira.


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Queridos irmãos e irmãs:

Na sexta-feira passada, 19 de junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e dia tradicionalmente dedicado à oração pela santificação dos sacerdotes, tive a alegria de inaugurar o Ano Sacerdotal, proclamado com ocasião do 150º aniversário do “nascimento ao Céu” do cura d’Ars, São João Maria Batista Vianney. E entrando na Basílica vaticana para a celebração das Vésperas, quase como um primeiro gesto simbólico, detive-me na Capela do Coro para venerar a relíquia deste santo pastor de almas: seu coração. Por que um Ano Sacerdotal? Por que precisamente na recordação do santo cura d’Ars, que aparentemente não fez nada de extraordinário? A Providência divina fez que sua figura se aproximasse da de São Paulo. Enquanto de fato se está concluindo o Ano Paulino, dedicado ao apóstolo das gentes, modelo extraordinário de evangelizador que realizou diversas viagens missionárias para difundir o Evangelho, este novo ano jubilar nos convida a olhar um pobre agricultor convertido em humilde pároco, que realizou seu serviço pastoral em um pequeno povoado. Se os dois santos se diferenciam muito pelos trajetos de vida que os caracterizaram –um viajou de região em região para anunciar o Evangelho, o outro acolheu milhares e milhares de fiéis permanecendo sempre em sua pequena paróquia–, há no entanto algo fundamental que os une: sua total identificação com seu próprio ministério, sua comunhão com Cristo que fazia Paulo dizer: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2, 20). Já São João Maria Vianney gostava de repetir: “Se tivéssemos fé, veríamos Deus escondido no sacerdote como uma luz atrás do cristal, como o vinho mesclado com a água”. O objetivo deste Ano Sacerdotal, como escrevi na carta enviada aos sacerdotes para esta ocasião, consiste em favorecer o fortalecimento de cada presbítero “até a perfeição espiritual da qual depende sobretudo a eficácia de seu ministério”, ajudar os sacerdotes e, com eles, todo o Povo de Deus, a redescobrir e revigorar a consciência do extraordinário e indispensável dom da Graça que o ministério ordinário representa para quem o recebeu, para toda Igreja e para o mundo, que sem a presença real de Cristo, estaria perdido.

Indubitavelmente, mudaram as condições históricas e sociais nas quais se encontrou o cura d’Ars e é justo se perguntar como os sacerdotes podem imitá-lo em sua identificação com seu próprio ministério nas atuais sociedades globalizadas. Num mundo em que a visão comum da vida compreende cada vez menos o sagrado, em cujo lugar o “funcional” converte-se na única categoria decisiva, a concepção católica do sacerdócio poderia correr o risco de perder sua consideração natural, inclusive dentro da consciência eclesial. Não é casual que tanto nos ambientes teológicos como também na prática pastoral concreta e de formação do clero, contrastam-se, e inclusive se opõem, duas concepções diferentes do sacerdócio. Sublinhei a propósito disso há alguns anos que existe “por um lado uma concepção social-funcional que define a essência do sacerdócio com o conceito do ‘serviço’: o serviço à comunidade, na realização de um função... Por outro lado, está a concepção sacramental-ontológica, que naturalmente não nega o caráter de serviço do sacerdócio, mas que o vê ligado ao ser do ministro e considera que este ser está determinado por um dom concedido pelo Senhor através da mediação da Igreja, cujo nome é sacramento” (J. Ratzinger, Ministério e vida do sacerdote, em Elementi di Teologia fondamentale. Saggio su fede e ministero, Brescia 2005, p.165). Também a mutação terminológica da palavra “sacerdócio” para o sentido de “serviço, ministério, encargo” é sinal desta concepção diferente. A concepção ontológica-sacramental está ligada ao primado da Eucaristia, no binômio “sacerdócio-sacrifício”, enquanto que a outra corresponderia ao primado da palavra e do serviço do anúncio.

Bem observadas, não se trata de duas concepções contrapostas, e a tensão que contudo existe entre elas deve-se resolver a partir de dentro. Assim, o decreto Presbyterorum ordinis do Concílio Vaticano II afirma: “Com efeito, o Povo de Deus é convocado e reunido pela virtude da mensagem apostólica, de tal modo que todos quantos pertencem a este Povo, uma vez santificados no Espírito Santo, se ofereçam como «hóstia viva, santa e agradável a Deus» (Rom. 12, l). Mas é pelo ministério dos presbíteros que o sacrifício espiritual dos fiéis se consuma em união com o sacrifício de Cristo, mediador único, que é oferecido na Eucaristia de modo incruento e sacramental pelas mãos deles, em nome de toda a Igreja, até quando mesmo Senhor vier” (n. 2). Perguntamo-nos então: que significa propriamente, para os sacerdotes, evangelizar? Em que consiste o chamado primado do anúncio? Jesus fala do anúncio do Reino de Deus como do verdadeiro objetivo de sua vinda ao mundo e seu anúncio não é apenas um “discurso”. Inclui, ao mesmo tempo, seu próprio atuar: os sinais e os milagres que Ele realiza indicam que o Reino vem ao mundo como realidade presente, que coincide em último termo com sua própria pessoa. Neste sentido, é obrigatório recordar que, também no primado do anúncio, palavra e sinal são inseparáveis. A pregação cristã não proclama “palavras”, mas a Palavra, e o anúncio coincide com a própria pessoa de Cristo, ontologicamente aberta à relação com o Pai e obediente a sua vontade. Portanto, um autêntico serviço à Palavra requer por parte do sacerdote que tenda a uma abnegação profunda de si mesmo, até dizer com o apóstolo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim”. O presbítero não pode considerar-se “amo” da palavra, mas servo. Ele não é a palavra, mas, como proclamava João Batista, de quem celebramos precisamente hoje o nascimento, é “voz” da Palavra: “Uma voz clama no deserto: Traçai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas” (Marcos 1, 3). Agora, ser “voz” da Palavra não constitui para o sacerdote um mero aspecto funcional. Ao contrário, pressupõe um substancial “perder-se” em Cristo, participando em seu ministério de morte e de ressurreição com todo o próprio eu: inteligência, liberdade, vontade e oferecimento dos próprios corpos, como sacrifício vivo (Cf. Romanos 12,1-2). Apenas a participação no sacrifício de Cristo, em seu kenosis, faz autêntico o anúncio! E este é o caminho que deve percorrer com Cristo para chegar a dizer ao Pai junto com Ele: “não se faça o que eu quero, senão o que tu queres” (Marcos 14,36). O anúncio, portanto, comporta sempre também o sacrifício de si, condição para que o anúncio seja autêntico e eficaz.

Alter Christus, o sacerdote está profundamente unido ao Verbo do Padre, que encarnando-se tomou a forma de servo, fez-se servo (Cf. Filipenses 2,5-11). O sacerdote é servo de Cristo, no sentido de que sua existência, configurada ontologicamente com Cristo, assume um caráter essencialmente relacional: ele está em Cristo, para Cristo e com Cristo ao serviço dos homens. Precisamente porque pertence a Cristo, o sacerdote está radicalmente ao serviço dos homens: é ministro de sua salvação, de sua felicidade, de sua autêntica libertação, amadurecendo, neste assunção progressiva da vontade de Cristo, na oração, nele está “unido de coração” com Ele. Esta é portanto a condição imprescindível de todo anúncio, que leva à participação no oferecimento sacramental da Eucaristia e a obediência dócil à Igreja.

O santo cura d’Ars repetia frequentemente com lágrimas nos olhos: “Que medo de ser sacerdote!”. E acrescentava: “Que infeliz é um sacerdote sem vida interior!” Que o Ano Sacerdotal conduza todos os sacerdotes a identificar-se totalmente com Jesus crucificado e ressuscitado, para que, à imitação de São João Batista, estejamos dispostos a “diminuir” para que Ele cresça; para que, seguindo o exemplo do cura d’Ars, advirtam de forma constante e profunda a responsabilidade de sua missão, que é sinal e presença da infinita misericórdia de Deus. Confiemos à Virgem, Mãe da Igreja, o Ano Sacerdotal recém-começado e todos os sacerdotes do mundo.

[Ao final da audiência, o Papa saudou os peregrinos em vários idiomas. Em espanhol, disse:]

Amados peregrinos de língua portuguesa, uma cordial saudação de boas-vindas para todos, nomeadamente para o grupo de Famões e os paroquianos de Espinho, confiando às vossas preces de modo particular os sacerdotes, neste ano a eles dedicado, para que sejam, a exemplo do Santo Cura d´Ars, sinal e presença da infinita misericórdia de Deus no meio dos seus irmãos. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção.


Traduzido por Zenit

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Por que o Sapato do papa é Vermelho ?

A cor vermelha dos múleos papais (assim são chamados os sapatos) simboliza o sangue dos mártires e a sua completa submissão à autoridade de Jesus Cristo. Os múleos são sempre feitos à mão, com setim, veludo ou couro vermelhos, cujos cadarços, quando presentes, são de ouro e as solas feitas de couro.
Assim como os nobres, o Papa também usava calçados distintos quando em ambiente interno ou externo. No primeiro caso, os calçados eram feitos de veludo ou seda vermelhos, decorados com galões e uma cruz ouro na pala. Ao ar livre, os Papa usavam sapatos vermelhos lisos, feitos com couro do Marrocos, mas, também, com a cruz de ouro na pala, por vezes ornada com rubi. Primitivamente, esta cruz era grande, atingindo as bordas do sapato.
O Papa Paulo VI retirou a cruz de ouro dos múleos, mas manteve a fivela em seus sapatos, tal qual pode ser visto em sua histórica visita à Jerusalém em 1964. Em 1969 ele aboliu as fivelas de todos os sapatos eclesiásticos, que eram, até então, obrigatórias na corte papal e para todos os prelados. Ele também abandonou o uso dos sapatos de veludo e os sapatos brancos para o Tempo da Páscoa. Desde então os papas vêm usando múleos vermelhos lisos.
O Papa João Paulo II alternou o uso de múleos de tons vermelho sangue com outros de vermelho mais escurecido, sendo que os seus sapatos eram todos confecionados na Polônia. O Papa Bento XVI tem usado os múleos vermelhos tradicionais., ou seja, com um tom mais vivo.
(fonte original: http://pt.wikipedia.org - com várias modificações do texto, a fim de facilitar a leitura)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mês da Bíblia

        O mês de setembro está dedicado há alguns anos no Brasil, para o estudo da Sagrada Bíblia. Este mês foi escolhido como mês da Bíblia por causa da festa de São Jerônimo que celebramos no dia 30 de setembro, e que foi o grande estudioso da Bíblia, inteligente, filósofo, capaz de pensar e falar em latim, grego e hebraico. Ele foi o primeiro a traduzir a Bíblia para a língua latina, a língua falada naquela época no império romano. A sua tradução se chama Vulgata, quer dizer traduzida para a língua do povo.

       Neste momento não falo o que é a Bíblia, o que significa a palavra Bíblia, porque sabemos que é uma coleção de livros inspirados por Deus. Tampouco quero me deter da importância da Bíblia como Palavra de Deus, inspiradora e orientadora da nossa vida. Quero falar do primeiro Livro da Sagrada Bíblia que é o Livro de Gênesis.

         Livro de Gêneses foi escolhido este ano para o estudo e aprofundamento neste mês de setembro. O que significa palavra Gêneses? Gênesis é o primeiro livro da Bíblia. Faz parte do Pentateuco, isto é, os cinco primeiros livros da Bíblia, cuja autoria é, tradicionalmente, atribuída a Moisés. Gênesis significa “Origem, Nascimento, Fonte” - é o nome dado pela Septuaginta, (tradução feita, por setenta autores, por isso chamada Septuaginta). Em hebraico este primeiro livro, se chama Bereshit - No Princípio - e seu título hebraico Bereshit é tirado da primeira palavra inicial do livro. O livro começa: “Bereshit bará Elohim...”.

    Se olharmos primeiros 11 capítulos de Gênesis, podemos observar que são como a introdução a toda a Bíblia. Estes capítulos ultrapassam o tempo e o espaço da história. Eles nos respondem a eterna pergunta: de onde veio este mundo? Quem é o autor do mundo e das pessoas humanas?

    O primeiro capítulo descreve de forma detalhada e pitoresca a criação do mundo. O autor sagrado coloca a obra criadora do mundo dentro dos dias da semana. Foram sete dias que Deus “gastou” para realizar a sua obra. Começou do céu, depois a terra, depois povoou a terra e os mares com seres vivos, criou os alimentos para estes seres, para finalmente criar, de uma forma solene o homem e a mulher. Depois da obra criadora “Deus descansou” e “... contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).

    Como entender a narração da criação do mundo em sete dias? Claro que não se trata de uma criação “as prestações”. É uma forma mais clara e mais adequada, que o autor encontrou para transmitir a única verdade: tudo vem de Deus, Deus é o autor e a origem de tudo o que existe. Esta é a principal e essencial verdade transmitida para nós neste capítulo. Se Deus criou tudo de uma vez, ou criou algum núcleo e o colocou em evolução, não tem importância para o autor Sagrado. Para ele o importante foi sublinhar que tudo, mas absolutamente tudo tem a sua origem, o seu autor principal o Deus Criador. Deus não criou o mundo “aos poucos”. Até porque em Deus não existe tempo, não existe “ontem” nem “amanhã”, para Deus é tudo “agora”. Esta forma foi mais adequada para apresentar e ressaltar a senhoria de Deus sobre toda a criação. Ele é o Criador.

        Além de transmitir a origem e a autoria de todo o criado, os primeiros capítulos do Gênesis nos transmitem a grande verdade, que o homem e a mulher foram criados por Deus. Mais ainda, que na criação do homem e da mulher Deus teve uma intervenção especial – ele lhes criou o espírito, o que nos chamamos à alma. Diz a Bíblia: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher” (Gn 1,27). Esta imagem de Deus se expressa nas pessoas na sua inteligência, sua vontade. O homem e a mulher podem raciocinar, amar, escolher. Estas são as faculdades espirituais do homem e da mulher. Esta é a diferença entre os animais e as pessoas humanas. Por isso ao criar o homem e a mulher Deus disse: “Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gn 1,28). Assim o homem e a mulher criados a imagem e semelhança de Deus são convidados para a administração do mundo. Dominar, explorar, respeitar a natureza, segundo o plano de Deus é a grande missão das pessoas na terra.

      Os primeiros capítulos da Bíblia são uma grande catequese de importância capital, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica. Eles nos dão a resposta às grandes perguntas da humanidade: De onde viemos? Para onde vamos? Qual é a sua origem? Qual é o nosso fim? De onde vem e para onde vai tudo o que existe? Porque estas duas questões de origem e do fim são inseparáveis. (Veja Catecismo da Igreja Católica nº 282).

Com a Bíblia na mão encontraremos as respostas certas a estas questões existenciais.



Dom Ceslau Stanula CSsR.
Bispo de Itabuna.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Agosto mês vocacional

Mês Vocacional

O mês de agosto, para a Igreja no Brasil, é o mês dedicado à reflexão e oração pelas vocações em geral e também pelas vocações específicas, que são a vocação sacerdotal e religiosa.
Cada pessoa está chamada a cumprir uma missão na Igreja e na sociedade. Cada pessoa tem o seu papel insubstituível na Igreja e na sociedade. Para cumprir este papel recebe de Deus uma vocação especial.  E assim, para que a humanidade possa crescer e se desenvolver, Deus chama as pessoas para a vida matrimonial e lhes dá uma graça especial para que possam cumprir a sua missão principal de gerar e educar os filhos. Para que não falte na Igreja os missionários e as missionárias, Deus chama as pessoas para a vida religiosa e missionária. Para que não falte na Igreja Eucaristia e os que administrem sacramentos, que são as graças especiais de Deus as quais acompanham a vida do cristão, isto é, Deus chama para a vida sacerdotal.
Assim na grande família de Deus que é a Igreja, todos têm a sua função, sua missão e cada um e cada uma é insubstituível. Se alguém se omite, seu lugar fica mesmo vazio e a família que é a Igreja fica enfraquecida.
A primeira e comum vocação para todos é ser discípulo de Jesus Cristo. Esta vocação foi sublinhada bastante na Conferencia de Aparecida. Pelo batismo somos chamados a conhecer mais a pessoa de Jesus Cristo, conhecer melhor a sua vida e sua missão, e deste maior conhecimento de Jesus nascerá o amor e adesão a sua pessoa. Olhando a pessoa de Jesus, acolhendo a sua palavra, experimentando a sua proximidade no do dia a dia, conheceremos mais o amor misericordioso de Deus que se revela no seu Filho  Jesus.
Todos os cristãos são chamados a esta experiência de Deus, isto é a santidade. Santidade é uma total realização e felicidade  pessoal. A plena felicidade e realização pessoal são possíveis alcançar só na união com Deus que nos criou.
Mas existe também a vocação específica para os ministérios ordenados. Estes são diáconos, sacerdotes e bispos. É uma vocação especial para a função especial na sociedade, a vocação para o serviço.
E assim, os diáconos são chamados e recebem a consagração especial para o serviço da caridade. Os Apóstolos, a se dedicarem livremente e unicamente a pregação da Palavra de Deus sem deixar os necessitados e as viúvas abandonadas, escolherem sete homens prudentes, para este serviço. Impuseram sobre eles as mãos e assim os destinaram para o serviço da caridade em estrita união com os apóstolos. (At. 6,4-7)
Os sacerdotes são colaboradores no múnus episcopal dos bispos na pregação e santificação do povo. São eles que fazem a Eucaristia, que celebram a Santa Missa, que administram principais sacramentos como reconciliação. E os bispos, que devem ter, a vocação para governar, santificar e ensinar as comunidades na fé. Por isso, segundo a mais antiga tradição da Igreja Católica, onde está o Bispo é ele que preside a comunidade, onde está o bispo está a comunidade. Santo Inácio de Antioquia no século I, dizia: “tudo com o Bispo e nada sem o Bispo”.
Assim então os ministros ordenados – bispos, sacerdotes e diáconos -, têm a missão de estarem à frente das comunidades, e desempenhem a sua missão em nome de Jesus Cristo. Ministros ordenados são discípulos e missionários de Jesus Cristo para servir a comunidade. Ser bispo, padre, diácono, não é “status”, mas é o humilde serviço à comunidade. Por isso na Igreja não existe o poder no sentido laico da palavra, o poder na Igreja, a hierarquia na Igreja é o serviço: “Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos”. (Mc 10.45).
Mas para que não faltem servidores da palavra, orientadores da comunidade e servidores da caridade, o próprio Jesus recomenda: “Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe” (Mt. 9, 38).
A Diocese de Itabuna tem o Seminário Maior onde os jovens se preparam para serem orientadores do povo – sacerdotes. Passam anos no seminário, na escola de Jesus para aprender compreender o povo e lhe servir tanto na mesa da palavra - pregando, ensinando -  como na mesa da Eucaristia -  celebrando a Santa Missa, distribuindo a Eucaristia,  e confortando na caminhada pelos sacramentos.
Rezemos pelos seminaristas, rezemos para que Deus suscite muitas e santas vocações sacerdotais e religiosas. Colaboremos também materialmente na manutenção e formação dos mesmos.

                                                                                           Dom Ceslau Stanula CSsR
                                                                                        Bispo de Itabuna.

sábado, 14 de agosto de 2010

A Vocação Religiosa

A Vocação Religiosa é um dom para a Igreja e um sinal para o mundo. Os religiosos são consagrados a Deus para servi-lo e para servir os irmãos e irmãs. Este serviço se dá através de um jeito próprio, ou seja, de acordo com o Carisma de cada Congregação religiosa e de cada membro da mesma como um dom, como um modo próprio de ser e agir. Esse dom dado pelo Espírito torna a pessoa  apta a  realizar determinada missão.
O jovem vocacionado ingressa em uma família religiosa conforme o carisma pessoal e de acordo com o Carisma da Instituição que ele escolhe para uma missão específica.

Os Religiosos são homens e mulheres que ouviram um dia o chamado de Deus  para colocarem suas vidas a serviço, em total entrega a Deus e aos irmãos e irmãs. São chamados a deixarem tudo: casa, família, propriedade, bens, e livremente ingressam numa Congregação ou Ordem religiosa. Professam os Votos de pobreza, castidade e obediência.

Pobreza aqui quer ter o significado de capacidade de desprendimento de si mesmo,  não ter nada de próprio, para que, livre dos bens materiais, na liberdade interior, possa ter Deus como o Tudo, único bem, o Absoluto de sua vida.

Castidade é, além da renúncia livre do matrimônio, ser capaz de ofertar seu coração e todo o seu ser a Deus, numa abertura de amor mais ampla, livre, um amor oblativo, a Deus e nele, a todas as pessoas, numa entrega amorosa na missão que assume como projeto de Deus para sua vida.

Obediência: Busca constante da vontade de Deus, para melhor servir. A obediência a Deus passa por mediações: A Igreja, a Congregação religiosa na pessoa dos superiores e à fraternidade.
Ela se dá através de um íntimo relacionamento com Deus, na abertura e confronto aberto, maduro e sincero entre os membros.


A Origem da Vida Consagrada

O Fundamento da Vida Consagrada é Jesus Cristo. Ele que sendo de condição divina não quis viver segundo a glória que tinha, mas se esvaziou, veio a este mundo, tornando-se um de nós, e em atitude de humildade se entregou até à morte e morte de Cruz (cf fil 2, 1-11s). É  Ele próprio quem faz apelo para o seu seguimento:  “Jesus subiu ao monte e chamou os que Ele quis escolher e foram até Ele” ( Mc3,13); Constituiu o grupo dos doze para que ficassem com Ele... e os enviou a pregar, com poder de expulsar os demônios e realizar a mesma missão que Ele realizava.

Além do apelo aos discípulos e aos doze, lança convite ao jovem rico, e como condição da vida em perfeição manda deixar tudo, vender os bens e dar aos pobres, isso seriam as condições para o seguimento. E Fala de alguns que renunciam à vida conjugal e abraçam o celibato por causa do Reino de Deus (Mt 19, 12 a 21).
Também São Paulo Apóstolo fala que escolheu viver sem casar para facilitar a missão (1cor 7, 7)
Nos primeiros tempos do Cristianismo temos o testemunho de homens e mulheres que viviam sem casa em vida de oração e serviço a Deus e aos pobres, bem como o testemunho dos mártires e das virgens que escolhiam morrer preservando a virgindade.

A Vida Religiosa surge  como sua primeira forma, no  séc III e IV  com os Monges do Deserto que buscam viver em oração,silêncio, penitência, jejum e trabalho (Santo Antão, São Basílio, São Pacômio), Mais tarde, São Jerônimo, Santo Agostinho, São Bento. No Séc.XII e XIII São Francisco de Assis e São Domingos, chamadas Ordem dos Mendicantes e a Ordem Feminina, com Santa Clara de Assis.

Assim a Vida Consagrada se expandiu sempre mais através das Congregações Religiosas de Vida contemplativa e ativa. Hoje a ela é  chamada a viver sempre mais comprometida com o profetismo, no anúncio, na denúncia, na renuncia e no testemunho, assumindo a fidelidade dinâmica e criativa que lhe é própria, vivendo a radicalidade do batismo, dentro dela mesma, na Igreja, na sociedade através de sua opção preferencial, audaciosa e atualizada pelos empobrecidos e excluídos da sociedade,vivendo a missão de Jesus, sendo sinal para o mundo, anunciando o Reino de Deus. Por sua natureza ela é profética e sempre é chamada a radicalizar seu jeito de viver e anunciar o Evangelho com seu próprio jeito de ser.

É Jesus a sua força, seu sustento, seu alento, sua luz; por isso o Consagrado busca na palavra de Deus, na oração contínua e na Eucaristia o vigor e as graças necessárias para continuar servindo a Deus e aos irmãos e irmãs com alegria, coragem e esperança

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Trezénario de Santo Antônio de 1° á 13 de junho de 2010

PARÓQUIA SANTO ANTÔNIO
DIOCESE DE ITABUNA
TREZENÁRIO DE SANTO ANTÔNIO

01 á 13 de junho de 2010

PROGRAMAÇÃO

TEMA: DOCUMENTO DE APARECIDA – PROPOSTA INOVADORA E DESAFIANTE


DIA 01-06 (terça-feira)

7h00mim – Missa

19h00mim –

A VI CONFERENCIA DO EPISCOPADO LATINO-AMERICANO E CARIBE- Novo passo no caminho da igreja

Dia 02-06(quarta-feira)

7hs00mim Missa dos homens

19hs00mim
DOCUMENTO DE APARECIDA- Discípulos Missionários de Jesus Cristo para que n´ele nossos povos tenham vida .
Dia 03-06 (quinta-feira)

7h00mim – Missa Corpus Christi

19hs00mim
Uma Igreja em estado permanente de missão

04-06 (sexta-feira)

19hs00mim –
Jesus Missionário

05-06 (Sábado)

19hs00mim-
Igreja Missionária

06-06 (domingo)

07hs00mim Missa

9hs00mim Missa criança

19hs00mim
 Discipulado e missão

07-06 (segunda-feira)

19h00mim

Experiência pessoal de fé

08-06(terça-feira)

7hs00mim missa

19hs00mim

Seguimento de Jesus

09-06 (quarta-feira)

7hs00mim missa dos homens

19hs00mim

Vivencia em comunitária

10-06 (quinta-feira)

19hs00mim

Formação Bíblica- Teológica

11-06 (sexta-feira)

19hs00mim

Compromisso Missionário da comunidade

12-06 (sábado)

19hs00mim

“Fica conosco Senhor...” (Lc 24,29)

13-06 (domingo)

06hs00mim Alvorada de fogos

07hs00mim Santa missa

10hs00mim Santa missa

16hs00mim Missa Campal em seguida procissão

Realização :
Padre Edvaldo Borges Marques,


Pastorais,Grupos e Movimentos

Corpus Cristi

Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.

É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de 'preceito', isto é, para os católicos é de comparecimento obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.

A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o Bispo (cân. 395).

História

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. A Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.

O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. Conta a história que um sacerdote chamado Pedro de Praga, de costumes irrepreensíveis, vivia angustiado por dúvidas sobre a presença de Cristo na Eucaristia. Decidiu então ir em peregrinação ao túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma, para pedir o Dom da fé. Ao passar por Bolsena (Itália), enquanto celebrava a Santa Missa, foi novamente acometido da dúvida. Na hora da Consagração veio-lhe a resposta em forma de milagre: a Hóstia branca transformou-se em carne viva, respingando sangue, manchando o corporal, os sangüíneos e as toalhas do altar sem no entanto manchar as mãos do sacerdote, pois, a parte da Hóstia que estava entre seus dedos, conservou as características de pão ázimo. Por solicitação do Papa Urbano IV, que na época governava a igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedo em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. A 11 de agosto de 1264, o Papa lançou de Orviedo para o mundo católico através da bula Transiturus do Mundo o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor.

A festa de Corpus Christi foi decretada em 1264. O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo...isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Corpus Christi é celebrado 60 dias ápos a páscoa.


Festa de Corpus Chisti

Qual a origem da festa de Corpus Christi?

Todos os católicos reconhecem o valor da Eucaristia. Podemos encontrar vários testemunhos da crença da real presença de Jesus no pão e vinho consagrados na missa desde os primórdios da Igreja. Mas, certa vez, no século VIII, na freguesia de Lanciano (Itália), um dos monges de São Basílio foi tomado de grande descrença e duvidou da presença de Cristo na Eucaristia. Para seu espanto, e para benefício de toda a humanidade, na mesma hora a Hóstia consagrada transformou-se em carne e o Vinho consagrado transformou-se em sangue. Esse milagre tornou-se objeto de muitas pesquisas e estudos nos séculos seguintes, mas o estudo mais sério foi feito em nossa era, entre 1970/71 e revelou ao mundo resultados impressionantes:

• A Carne e o Sangue continuam frescos e incorruptos, como se tivessem sido recolhidos no presente dia, apesar dos doze séculos transcorridos.

• O Sangue encontra-se coagulado externamente em cinco partes; internamente o sangue continua líquido.

• Cada porção coagulada de sangue possui tamanhos diferentes, mas todas possuem exatamente o mesmo peso, não importando se pesadas juntas, combinadas ou separadas.

• São Carne e Sangue humanos, ambos do grupo sanguíneo AB, raro na população do mundo, mas característico de 95% dos judeus.

• Todas as células e glóbulos continuam vivos.

• A carne pertence ao miocárdio, que se encontra no coração (e o coração sempre foi símbolo de amor!). Mesmo com esse milagre, entre os séculos IX e XIII surgiram grandes controvérsias sobre a presença real de Cristo na Eucaristia; alguns afirmavam que a ceia se tratava apenas de um memorial que simbolizava a presença de Cristo. Foi somente em junho de 1246 que a festa de Corpus Christi foi instituída, após vários apelos de Santa Juliana que tinha visões que solicitavam a instituição de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento. Em outubro de 1264 o papa Urbano IV estendeu a festa para toda a Igreja. Nessa festa, o maior dos sacramentos deixados à Igreja mostra a sua realidade: a Redenção.

A Eucaristia é o memorial sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos de Jesus por nós. Mesmo separando seu Corpo e seu Sangue, Jesus se conserva por inteiro em cada uma das espécies. É pela Eucaristia, especialmente pelo Pão, sinal do alimento que fortifica a alma, que tomamos parte na vida divina, nos unindo a Jesus e, por Ele, ao Pai, no amor do Espírito Santo. Essa antecipação da vida divina aqui na terra mostra-nos claramente a vida que receberemos no Céu, quando nos for apresentado, sem véus, o banquete da eternidade. O centro da missa será sempre a Eucaristia e, por ela, o melhor e o mais eficaz meio de participação no divino ofício. Aumentando a nossa devoção ao Corpo e Sangue de Jesus, como ele próprio estabeleceu, alcançaremos mais facilmente os frutos da Redenção!
 
Forte: Professor Filipe Aquino,Professor e missionario da cancão nova

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O que é a Festa de Pentecostes?



Pentecostes, do grego, pentekosté, é o qüinquagésimo dia após a Páscoa. Comemora-se o envio do Espírito Santo à Igreja. A partir da Ascensão de Cristo, os discípulos e a comunidade não tinham mais a presença física do Mestre. Em cumprimento à promessa de Jesus, o Espírito foi enviado sobre os apóstolos. Dessa forma, Cristo continua presente na Igreja, que é continuadora da sua missão.


A origem do Pentecostes vem do Antigo Testamento, uma celebração da colheita (Êxodo 23, 14), dia de alegria e ação de graças, portanto, uma festa agrária. Nesta, o povo oferecia a Deus os primeiros frutos que a terra tinha produzido. Mais tarde, tornou-se também a festa da renovação da Aliança do Sinai (Ex 19, 1-16).
No Novo Testamento, o Pentecostes está relatado no livro dos Atos dos Apóstolos 2, 1-13. Como era costume, os discípulos, juntamente com Maria, mãe de Jesus, estavam reunidos para a celebração do Pentecostes judaico. De acordo com o relato, durante a celebração, ouviu-se um ruído, "como se soprasse um vento impetuoso". "Línguas de fogo" pousaram sobre os apóstolos e todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em diversas línguas.


Pentecostes é a coroação da Páscoa de Cristo. Nele, acontece a plenificação da Páscoa, pois a vinda do Espírito sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do Ressuscitado no coração, na vida e na missão dos discípulos.


Podemos notar a importância de Pentecostes nas palavras do Patriarca Atenágoras (1948-1972): "Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos". O Espírito traz presente o Ressuscitado à sua Igreja e lhe garante a vida e a eficácia da missão.
Dada sua importância, a celebração do Domingo de Pentecostes inicia-se com uma vigília, no sábado. É a preparação para a vinda do Espírito Santo, que comunica seus dons à Igreja nascente.


O Pentecostes é, portanto, a celebração da efusão do Espírito Santo. Os sinais externos, descritos no livro dos Atos dos Apóstolos, são uma confirmação da descida do Espírito: ruídos vindos do céu, vento forte e chamas de fogo. Para os cristãos, o Pentecostes marca o nascimento da Igreja e sua vocação para a missão universal.
SIGNIFICADO PENTECOSTES



O que significa Pentecostes?

É uma palavra que vem do grego e significa "qüinquagésimo". É o 50° dia depois da Páscoa. É a solenidade da vinda do Espírito Santo. Junto com Natal e Páscoa, forma o tripé mais importante do Ano Litúrgico. Esse detalhe ajuda a compreender por que Pentecostes pertence ao Ciclo da Páscoa.

Qual é a cor litúrgica de Pentecostes e seu significado?

O vermelho domina essa solenidade, associado ao fogo, símbolo do amor. 0 Espírito Santo é chamado de "Espírito do amor".

Como surgiu a festa de Pentecostes?

Antes de ser uma festa dos cristãos, Pentecostes foi festa dos judeus, e sua origem se perde nas sombras do passado. Antes de se chamar assim, tinha outros nomes, e era uma festa agrícola. Em Êxodo 23,14-17 é chamada de festa da Colheita, a festa dos primeiros feixes de trigo colhidos. Em Êxodo 34,22 é chamada de festa das Semanas. Por que "festa das semanas"? A explicação é dada pelo Levítico (23,15-21): calculavam-se 7 semanas a partir do inicio da colheita do trigo. 7 semanas = 49 dias.

Com o tempo, ela perdeu sua ligação com a vida dos agricultores, recebeu o nome grego de Pentecostes e se tomou festa cívico-religiosa. No tempo de Jesus, celebrada 50 dias apos a Páscoa, ela recordava a dia em que no Monte Sinai, Deus entregou as tábuas da Lei a Moises. Os Atos dos Apóstolos fazem coincidir a vinda do Espírito Santo com a festa judaica de Pentecostes.

Quem recebeu o Espírito Santo no dia de Pentecostes?

O episodio de Pentecostes é narrado por Lucas em Atos 2,1-11. Sem muita reflexão, seriamos tentados a responder que apenas os Doze apóstolos é que receberam o Espírito Santo. Mas lendo com atenção o contexto desse acontecimento poderemos ter surpresas.


De fato, Lucas disse, antes que viesse o Espírito: "Os apóstolos voltaram para Jerusalém, pois se encontravam no chamado monte das Oliveiras, não muito longe de Jerusalém: uma caminhada de sábado. Entraram na cidade e subiram para a sala de cima, onde costumavam hospedar-se. Ai estavam Pedro e João, Tiago e Andre, Filipe e Tome, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão Zelote e Judas, filho de Tiago. Todos eles tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com as irmãos de Jesus. Nesses dias, ai estava reunido um grupo de mais ou menos cento e vinte pessoas" (Atos 1,12-15a). No dia de Pentecostes, já com Matias substituindo o traidor Judas, Lucas afirma que "todos eles estavam reunidos no mesmo lugar" (2,1). Na fala depois de terem recebido o Espírito Santo, Pedro cita a profeta Joel, que previa a efusão do Espírito sobre todas as pessoas: "Nos últimos dias, diz o Senhor, eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas. Os filhos e filhas de vocês vão profetizar, os jovens terão visões e os anciãos terão sonhos. E, naqueles dias, derramarei o meu Espírito também sobre meus servos e servas, e eles profetizarão" (2,17-18; veja Joel 3,1-5). Não se pode, portanto, afirmar que somente os Doze ap6stolos e que receberam o Espírito.


0 fenômeno de falar em línguas surgiu em Pentecostes?

O dom de falar línguas estranhas era um fenômeno restrito praticamente às comunidades cristãs de Corinto. Esse dom tem pouco a ver com a Pentecostes de Atos 2,1-11. Lá em Corinto, as pessoas rezavam a Deus em línguas estranhas,todas juntas, sem que alguém compreendesse coisa alguma. Paulo põe ordem nessa "babel", mandando que orem um por vez, com interprete (1 Coríntios 12-14).


Em Atos as coisas são bem diferentes: "Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Acontece que em Jerusalém moravam judeus devotos de todas as nacões do mundo. Quando ouviram barulho, todos se reuniram e ficaram confusos, pois cada um ouvia, na sua própria língua, os discípulos falarem. Espantados e surpresos, diziam: 'Esses homens que estão falando, não são todos galileus? Como é que cada um de nós os ouve em sua própria língua materna? ... E cada um de nós em sua própria língua os ouve anunciar as maravilhas de Deus!'" (2,4-8.11).

Lucas montou a cena de Pentecostes sobre o molde da entrega da Lei a Moises, ou seja, sobre o molde do Pentecostes judaico. Compare Atos 2,1-11 com Êxodo 19,1-20,21, e anote as coincidências. Em Êxodo, todo o povo reunido ao redor do monte; em Atos, o mundo inteiro reunido em Jerusalém. No Êxodo, relâmpagos, trovões, nuvem escura etc., símbolos de teofania (= manifestação de Deus); nos Atos, vento forte, línguas como de fogo, símbolos teofânicos (= manifestação do Espírito de Deus).

Qual a mensagem de Pentecostes?

A mensagem vem , sobretudo das leituras dessa solenidade, que são sempre as mesmas: Atos 2,1-11; 1 Coríntios 12,3b-7.12-13; João 20,19-23. Eis alguns temas que deveriam ser aprofundados. 1. O supremo dom do Pai e de Jesus a humanidade é o Espírito Santo. 2. Soprando sobre os discípulos, Jesus esta recriando a humanidade mediante o sopro do Espírito. 3. Recebendo o Espírito de Jesus, os cristãos recebem igualmente a mesma missão. 4. O Espírito é dado a todos. Ninguém fica sem ele, e ninguém o possui plenamente. 5. O Espírito leva a humanidade a formar uma só família, no amor, diferentemente de Babel-confusão, em que as pessoas não se entendem.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Escândalos na Igreja

O Pe. Roger J. Landry foi ordenado sacerdote em 1999 na diocese de Fall River pelo bispo Sean OMalley, OFM Cap.. Depois de obter a licenciatura de biologia pela Universidade de Harvard, o Pe. Landry fez seus estudos para o sacerdócio em Maryland, Toronto e, durante vários anos em Roma. Depois de sua ordenação sacerdotal, o Bispo OMalley o enviou de regresso para Roma para concluir seus estudos de graduação em teologia moral e bioética. Atualmente é vigário paroquial na Paróquia do Espírito Santo em Fall River e capelão na escola secundária Bishop Connoly.
Qual deve ser a nossa resposta aos terríveis escândalos na Igreja?
Muitas pessoas vieram-me falar deste assunto. Muitas outras também gostariam, mas evitaram, creio que por respeito e para não chamar a atenção para um fato desagradável. Mas para mim era óbvio que tinham isso presente. Por isso, hoje, quero enfrentar este assunto de frente. Vocês têm direito. Não podemos fingir como se não houvesse acontecido. E eu quero debater qual deve ser a nossa resposta como fiéis católicos a este terrível escândalo.
Primeiramente, é preciso entender o acontecimento à luz da nossa fé no Senhor. Antes de escolher seus primeiros discípulos, Jesus subiu a montanha para orar durante toda a noite. Nesse tempo tinha muitos seguidores. Falou com seu Pai na oração sobre quais escolheria para que fossem seus doze apóstolos, os doze que Ele formaria intimamente, os doze que enviaria a pregar a Boa Nova em Seu nome. Deu-lhes poder de expulsar os demônios. Deu-lhes poder para curar os doentes. Eles viram como Jesus operou muitos milagres. Eles mesmos fizeram, em Seu nome, numerosos milagres.
Mas, apesar de tudo, um deles foi um traidor. O traidor tinha seguido o Senhor, tivera os pés lavados pelo Senhor, O viu caminhar pelas águas, ressuscitar pessoas e perdoar os pecadores. O Evangelho diz que ele permitiu que satanás entrasse nele e logo vendeu o Senhor por 30 moedas, e entregou-o no Horto de Getsêmani, simulando um ato de amor, um beijo. “Judas!”, disse o Senhor no horto do Getsemani, “com um beijo entregas o Filho do Homem”. Jesus não o escolheu para que o traísse. Ele o escolheu para que fosse como os demais. Mas Judas foi sempre livre e usou sua liberdade para permitir que satanás entrasse nele e, por sua traição, terminou fazendo com que Jesus fosse crucificado e morto. Portanto, entre os primeiros doze que o próprio Jesus escolheu, um deles foi um terrível traidor. ÀS VEZES, OS ESCOLHIDOS DE DEUS TRAEM. Este é um fato que devemos assumir. É um fato que a Igreja primitiva assumiu. Se o escândalo de Judas tivesse sido a única coisa com que os membros da Igreja primitiva tivessem se preocupado, a Igreja teria acabado antes de começar. Em vez disso, a Igreja reconheceu que não se deve julgar algo (religioso) a partir daqueles que não o praticam, mas olhando para os que praticam.
Em vez de ficarem paralisados em torno daquele que traiu Jesus, concentraram-se nos outros onze. Graças ao trabalho, pregação, milagres e amor por Cristo desses homens, aqui estamos hoje. É graças aos onze – todos os quais, exceto São João, foram martirizados por Cristo e pelo Evangelho, pelo qual estiveram dispostos a dar suas vidas para proclamá-lo – que nós chegamos a escutar a palavra salvífica de Deus e recebemos os sacramentos da vida eterna.
Somos hoje confrontados pela mesma realidade. Podemos concentrarmo-nos naqueles que traíram o Senhor, naqueles que abusaram, em vez de amar a quem estavam chamados a servir. Ou podemos como a Igreja nascente, concentrarmo-nos nos demais, naqueles que permaneceram fiéis, nesses sacerdotes que continuam oferecendo suas vidas para servir a Cristo e para servir a todos por amor. Os meios de comunicação quase nunca prestam atenção aos “onze” bons, aqueles a quem Jesus escolheu e que permaneceram fiéis, que viveram uma vida de santidade silenciosa. Mas nós, a Igreja, devemos ver o terrível escândalo que estamos testemunhando a partir de uma perspectiva autêntica e completa.
O escândalo, infelizmente, não é algo novo para a Igreja. Houve muitas épocas em sua história em que esteve pior do que agora. A história da Igreja é como a definição matemática do cosseno, ou seja, uma curva oscilatória com movimento pendular, com altos e baixos ao longo dos séculos. Em cada uma dessas épocas em que a Igreja chegou ao ponto mais baixo, Deus suscitou grandes santos que levaram a Igreja de volta a sua verdadeira missão. Como se naqueles momentos de escuridão, a Luz de Cristo brilhasse mais intensamente. Eu gostaria de destacar um par de santos que Deus suscitou nesses tempos tão difíceis, porque sua sabedoria pode realmente nos guiar durante este tempo difícil.
São Francisco de Sales foi um santo que Deus fez surgir justamente depois da reforma protestante. A reforma protestante não brotou fundamentalmente por aspectos teológicos ou por problemas de fé – ainda que as diferenças teológicas apareceram depois – mas, por questões morais.
Houve um sacerdote agostiniano, Martinho Lutero, que foi a Roma durante o papado mais notório da história, o do Papa Alexandre VI. Este Papa jamais ensinou nada que fosse contra a fé – o Espírito Santo não permitiu – mas, foi simplesmente, um homem mau. Teve nove filhos de seis diferentes concubinas. Promoveu ações contra aqueles que considerava seus inimigos. Martinho Lutero visitou Roma durante seu papado e se perguntava como Deus podia permitir que um homem tão mau fosse a cabeça visível da Sua Igreja . Regressou a Alemanha e observou todo tipo de problemas morais. Os padres tinham, publicamente, casos com mulheres. Alguns tratavam de obter dinheiro vendendo bens espirituais. Grassava uma imoralidade terrível entre os leigos. Ele se escandalizou com esses abusos desenfreados, como teria ocorrido com qualquer que ame a Deus, reagiu precipitadamente e  com fúria, e fundou a sua própria igreja. Naqueles mesmos tempos, Deus suscitou muitos santos que combateram essa situação equivocada e trouxeram de volta as pessoas para a Igreja fundada por Cristo. São Francisco de Sales foi um deles. Colocando em risco a própria vida, entrou na Suíça, onde os calvinistas dominavam e eram muito populares, pregando o Evangelho com verdade e amor. Foi espancado várias vezes nas estradas e abandonado como morto. Um dia perguntaram-lhe qual era a sua posição em relação ao escândalo que causavam tantos dos seus irmãos sacerdotes. O que disse é tão importante para nós como o foi para os que o escutaram. Ele não ficou enrolando. “Aqueles que cometem esse tipo de escândalos são culpáveis do equivalente espiritual a um assassinato, destruindo com seu mau exemplo a fé das outras pessoas em Deus”. Mas, ao mesmo tempo advertiu aos seus ouvintes: “Mas eu estou aqui hoje entre vocês para evitar-lhes um mal ainda pior. Enquanto que aqueles que causam o escândalo são culpados de assassinato espiritual, os que acolhem o escândalo – aqueles que permitem que os escândalos destruam sua fé – são culpados de suicídio espiritual. São culpáveis de cortar pela raiz sua vida com Cristo, abandonando a fonte da vida nos Sacramentos, especialmente a Eucaristia.” São Francisco de Sales andou entre os suíços e os habitantes da Savóia tratando de prevenir que cometessem um suicídio espiritual por causa dos escândalos. E eu estou aqui hoje para pregar o mesmo para vocês.
Qual deve ser a nossa reação? Outro grande santo que viveu antes, em tempos particularmente difíceis, também pode nos ajudar. O grande São Francisco de Assis viveu ao redor do ano 1200, que foi uma época de imoralidade terrível na Itália central. Os padres davam exemplos espantosos. A imoralidade dos leigos era ainda pior. O próprio São Francisco, sendo jovem, tinha escandalizado outras pessoas com sua maneira despreocupada de viver. Converteu-se, fundou a ordem franciscana e ajudou a Deus a reconstruir a Sua Igreja e chegou a ser um dos maiores santos de todos os tempos.
Certa vez, um dos irmãos franciscanos lhe fez uma pergunta. Esse frei era muito suscetível aos escândalos. “Irmão Francisco, que farias se soubesses que o sacerdote que está celebrando a Missa tem três concubinas ao seu lado?” Francisco, sem duvidar um instante, respondeu bem devagar: “Quando chegar a hora da Santa Comunhão, iria receber o Sagrado Corpo do meu Senhor das mãos ungidas do sacerdote.”
Onde queria chegar Francisco? Queria deixar clara uma verdade formidável da fé e um dom extraordinário do Senhor. Não importa quão pecador seja um padre, sempre e quando tenha a a intenção de fazer o que faz a Igreja – na Missa, por exemplo, converter o pão e vinho na carne e sangue de Cristo, ou na confissão, não importa quão pecador seja, perdoar os pecados do penitente – o próprio Cristo atua nos sacramentos através desse ministro.
Seja o Papa João Paulo II que celebre a Missa, ou um sacerdote condenado a morte por um crime, em ambos os casos é o próprio Cristo quem atua e nos dá Seu Corpo e Seu Sangue. Dessa forma, o que Francisco estava dizendo, ao responder a pergunta do seu irmão religioso, que receberia o Sagrado Corpo do Seu Senhor das mãos ungidas do sacerdote, é que não ia permitir que a maldade ou imoralidade do padre o levasse a cometer suicídio espiritual.
Cristo pode continuar atuando, e de fato atua, inclusive através do mais pecador dos sacerdotes. E graças a Deus que assim o faz! Se sempre tivéssemos que depender da santidade pessoal do sacerdote, teríamos um grave problema. Os sacerdotes são escolhidos por Deus entre os homens e são tentados como qualquer ser humano e caem em pecado como qualquer ser humano. Mas Deus já sabia disso desde o princípio. Onze dos primeiros doze apóstolos se dispersaram quando Cristo foi preso, mas regressaram; um dos doze traiu o Senhor e infelizmente nunca regressou. Deus fez os sacramentos “à prova de sacerdote”, ou seja, independente da sua santidade pessoal. Não importa quão santos ou maus sejam, sempre que tenham a intenção de fazer o que a Igreja faz, o próprio Cristo atua, tal como atuou através de Judas quando Judas expulsou os demônios e curou os doentes.
Por isso, pergunto-vos novamente: Qual deve ser a resposta da Igreja a esses atos? Falaram muito a respeito na mídia. A Igreja precisa trabalhar melhor, assegurando que ninguém com inclinação para a pedofilia seja ordenado? Com certeza. Mas isto não seria suficiente. A Igreja deve atuar melhor ao tratar desses casos quando sejam notificados? A Igreja mudou a sua maneira de abordar esses casos e hoje a situação é muito melhor do que era nos anos oitenta, mas sempre pode ser aperfeiçoada. Mas ainda isso não seria suficiente. Temos que fazer mais para apoiar as vítimas desses abusos? Sim, temos que fazê-lo, por justiça e por amor! Mas tampouco isso é o adequado… A única resposta adequada a este terrível escândalo, a única resposta autenticamente católica a este escândalo – como São Francisco de Assis reconheceu em 1200, como São Francisco de Sales reconheceu em 1600 e incontáveis outros santos reconheceram em cada século – é a SANTIDADE! Toda crise que enfrenta a Igreja, toda crise que o mundo enfrenta, é uma crise de santidade” A santidade é crucial, porque é o rosto autêntico da Igreja.
Sempre há pessoas – um sacerdote encontra-se com elas regularmente e vocês devem conhecer várias delas também – que usam desculpas para justificar porque não praticam sua fé, porque lentamente estão cometendo suicídio espiritual. Pode ser porque uma freira se portou mal com eles quando tinham 9 anos. Porque não entendem os ensinamentos da Igreja sobre algum tema particular. Indubitavelmente haverá muitas pessoas atualmente – e vocês se encontram com elas – que dirão: “Para que praticar a fé, para que ir a Igreja, se a Igreja não pode ser verdadeira, quando os assim chamados escolhidos, são capazes de fazer esse tipo de coisa que estamos lendo?” Este escândalo é como um cabide enorme onde alguns procuram pendurar sua justificativa para não praticar a fé. Por isso é que a santidade é tão importante.
Essas pessoas necessitam encontrar em todos nós uma razão para ter fé, uma razão para ter esperança, uma razão para responder com amor ao amor do Senhor. As bem-aventuranças que lemos no Evangelho são uma receita para a santidade. Todos precisamos vivê-las melhor. Os padres precisam ser mais santos? Certamente. Precisam os frades e freiras serem mais santos e darem um melhor testemunho de Deus e do Céu? Sem a menor dúvida. Mas todas as pessoas na Igreja precisam fazer o mesmo, inclusive os leigos! Todos temos vocação para ser santos e esta crise é um chamado para que despertemos.
Estes são tempos duros para o sacerdote. São tempos duros para o católico. Mas também são tempos magníficos para ser um sacerdote e para ser um católico. Jesus disso nas bem-aventuranças: Bem-aventurados serão quando os injuriarem, vos perseguirem e disserem falsamente todo tipo de maldades contra vocês por minha causa. Alegrem-se e regozijem-se porque será grande a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram aos profetas antes de vocês. Eu experimentei essa bem-aventurança, da mesma forma que outros sacerdotes que conheço. No começo desta semana, quando terminei de fazer ginástica numa academia local, eu saía do vestiário com meu clergyman e uma mãe, mal me viu, afastou rapidamente seus filhos do caminho e os protegeu enquanto eu passava. Ficou me olhando quando passei e, quando já havia me afastado o suficiente, respirou aliviada e soltou os seus filhos. Como se eu fosse atacá-los no meio da tarde em plena academia! Mas enquanto todos nós talvez tenhamos que padecer tais insultos e falsidades por causa de Cristo, de fato, devemos regozijar-nos. É um tempo fantástico para ser cristão atualmente, porque é um tempo em que Deus realmente necessita de nós para mostrar Seu verdadeiro rosto. Em tempos passados nos EUA, a Igreja era respeitada. Os sacerdotes eram respeitados. A Igreja tinha reputação de santidade e bondade. Mas hoje já não é assim.
Um dos mais pregadores na história norte-americana, o bispo Fulton J. Sheen costumava dizer que preferia viver nos tempos em que a Igreja sofre em vez de florescer tranquilamente, nos tempos em que a Igreja tem que lutar, quando a Igreja tem que ir contra a cultura. São épocas para que os verdadeiros homens e mulheres dêem um passo à frente. “Até os cadáveres podem ir a favor da corrente”, costumava dizer o bispo, indicando que muitas pessoas dão testemunho quando a Igreja é respeitada, “mas são necessários verdadeiros homens e mulheres para nadar contra a corrente.”
Como isso é verdadeiro! É preciso ser um verdadeiro homem e uma verdadeira mulher para manter-se flutuando e nadar contra a corrente que se move em oposição à Igreja. É preciso ser um verdadeiro homem e uma verdadeira mulher para reconhecer que quando se nada contra a corrente das críticas, estamos mais seguros que quando apenas permanecemos grudados por inércia na rocha sobre a qual Cristo fundou sua Igreja. Estamos num desses tempos difíceis. É um dos grandes momentos para ser cristão.
Algumas pessoas prevêem que nesta região a Igreja passará por tempos difíceis e talvez seja assim, o mais a Igreja sobreviverá, por que o Senhor assegurou a sua sobrevivência. Uma das maiores réplicas na história aconteceu há justamente 200 anos. O imperador Napoleão engolia os países da Europa com seus exércitos, com a intenção final de dominar totalmente o mundo. Naquela ocasião disse uma vez ao cardeal Consalvi: “Vou destruir sua Igreja”. O cardeal respondeu: “Não, não poderá”. Napoleão, com seus 1,50 m de altura, disse outra vez: “Eu destruirei vossa Igreja.” O cardeal disse confiante: “Não, não poderá. Nem nós fomos capazes de fazê-lo!”.
Se os papas ruins, os sacerdotes infiéis e os milhares de pecadores na Igreja não tiveram êxito em destruí-la a partir de dentro – como dizia implicitamente ao general – como crê que poderá fazê-lo? O cardeal referia-se a uma verdade cruel. Mas Cristo nunca permitirá que sua Igreja fracasse. Ele prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam sobre a sua Igreja, que a barca de Pedro, a Igreja que navega no tempo rumo ao seu porto eterno no céu, nunca naufragará, não porque aqueles que vão nela não cometam todos os pecados possíveis para afundá-la, mas porque Cristo, que também está na barca, nunca permitirá que isso aconteça. Cristo continua na barca e ele nunca a abandonará.
A magnitude de este escândalo poderia ser tal que de agora em diante vocês tenham dificuldade em confiar nos sacerdotes tanto como o faziam no passado. Isto pode acontecer e talvez não seja tão ruim. Mas nunca percam a confiança no Senhor! É a sua Igreja! Mesmo quando alguns dos seus eleitos O tenham traído, ele chamará outros que serão fiéis, que servirão vocês com o amor com que vocês merecem ser servidos, tal como ocorreu depois da morte de Judas, quando os onze apóstolos ficaram de acordo e permitiram que o Senhor escolhesse alguém para tomar o lugar de Judas, e escolheram o homem que terminou sendo São Matias, que proclamou fielmente o Evangelho até ser martirizado.
Este é um tempo em que todos nós precisamos esforçarmo-nos ainda mais em ser santos! Estamos chamados a ser santos, e como necessitamos ver esse rosto bonito e radiante da Igreja! Vocês são parte da solução, uma parte crucial da solução. Quando caminhem para receberem o Sagrado Corpo do Senhor das mãos ungidas deste sacerdote, peçam a Ele que os encha de um real desejo de santidade, um real desejo de mostrar Seu autêntico rosto.
Uma das razões pelas quais estou aqui como sacerdote é porque sendo jovem, impressionaram-me negativamente alguns sacerdotes que conheci. Via-os celebrar a Missa e quase sem reverência deixavam cair o Corpo do Senhor na patena, como se tivessem nas mãos algo de pouco valor em vez do Criador e Salvador de todos, em vez do meu Criador e Salvados. Lembro ter dito ao Senhor, reiterando meu desejo de ser sacerdote: “Senhor, deixa-me ser sacerdote para que possa tratar-Te como Tu o mereces!”. Isso me deu um desejo ardente de servir o Senhor. Talvez este escândalo permita que vocês façam o mesmo. Este escândalo pode ser algo que os conduza pelo caminho do suicídio espiritual ou algo que os inspire a dizer, finalmente, “Quero ser santo, para que eu e a Igreja possamos glorificar Teu nome como Tu o mereces, para que outros possam encontrar-Te no amor e na salvação que eu Te encontrei”. Jesus está conosco, como prometeu, até o final dos tempos. Ele continua na barca.
Tal como a partir da traição de Judas, Ele alcançou a maior vitória na história do mundo, a nossa salvação por meio da sua Paixão, morte e Ressurreição, também através deste episódio Ele pode trazer, e quer trazer, um novo renascimento da santidade, para lançar uns novos Atos dos Apóstolos do século XXI, com cada um de nós – e isso inclui você – assumindo um papel de protagonista. Agora é o tempo para que os verdadeiros homens e mulheres da Igreja se ponham em pé. Agora é o tempo dos santos. Como você irá responder?

Forte : http://www.presbiteros.com.br/index.php/escandalos-na-igreja/

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ser dizimista é uma questão de fé

O Dízimo: O que é?
"Honra ao Senhor com teu Dízimo. E no final do ano, serás feliz... O Dízimo é algo consagrado a mim, que sou o Senhor".(Lv 27,30)



Dízimo é um ato de gratidão a Deus, do qual recebemos tudo o que temos. É devolução a Ele de um pouco do que dele recebemos, por meio da Igreja, para que o seu Reino aconteça entre nós. É manifestação de nosso amor a Deus e aos irmãos. É partilha dos bens que estão a nosso dispor, especialmente com os mais necessitados.

Contudo, a inspiração com que cada um vê ou percebe o dízimo vai atribuir-lhe um significado. Assim, ouve-se que é gesto de amor, de agradecimento, expressão de fé, de solidariedade, de fraternidade, retribuição aos dons e bênçãos de Deus, manifestação de responsabilidade para com a Igreja e o plano de Deus, e outros inúmeros qualificativos que buscam defini-lo.

De fato, o dízimo assume diferentes expressões em razão do que o motiva (por que o oferto?) ou de sua destinação (para que o oferto?). Mas uma palavra enfeixa todas as suas possíveis definições: AMOR.

Num primeiro momento, devo reconhecer, pelos dons gratuitos que recebo de Deus - a começar pela vida, pela saúde, pela inteligência -, o imenso AMOR que Ele tem por mim. Depois, manifesto de forma objetiva minha gratidão, retribuindo a Ele este sentimento em gesto concreto de AMOR através dos meus irmãos.

O dízimo é, pois, uma retribuição que fazemos a Deus de parte do que gratuitamente d'Ele recebemos, um pouco de nós mesmos; e o fazemos através da Igreja, para que ela possa cumprir a missão da qual Jesus a incumbiu.

O dízimo é uma contribuição voluntária, regular, periódica e proporcional aos rendimentos recebidos, que todo batizado deve assumir como obrigação pessoal - mas também como direito - em relação à manutenção da vida da Igreja local onde vive sua fé. O dízimo é compromisso de cada cristão. Representa a aceitação consciente do dom de Deus e a disposição fiel de colaborar com seu projeto de felicidade para todos. Dízimo é agradecimento e partilha, já que tudo o que temos e recebemos vem de Deus e pertence a Deus.

Devolução a Deus, por meio da Igreja, de um pouco do muito que Ele nos dá. Contribuição para com a comunidade, da qual fazemos parte pelo Batismo. Partilha que nasce do amor aos irmãos e irmãs, especialmente em relação aos empobrecidos.

E o que o Dízimo não é? O dízimo não é esmola, ofertório ou coleta. O dízimo não deve ser uma prática filantrópica, mas um gesto religioso.

O Dízimo: ou Oferta?  

É verdade que na Bíblia Sagrada Deus nos pede o Dízimo e a Oferta. "Pagai integralmente os dízimos à casa do Senhor" (Mal 3,10). "Dizei ao povo de Israel que me faça uma oferta diz o Senhor" (Ex 25,2).

Existe uma grande diferença entre Dízimo e Oferta, embora ambos sejam fruto de nossa fé, do nosso reconhecimento, da nossa gratidão para com Deus, da nossa generosidade, de nosso coração.

Dízimo é devolver a Deus, com fidelidade, uma parte de tudo aquilo que Ele próprio nos dá, como primícias da nossa renda. Quer dizer que toda vez que Deus nos dá, nós separamos 'as primícias', a parte consagrada a Ele, e fazemos a devolução. Se a nossa renda é a colheita, nós daremos o nosso Dízimo quando realizarmos a nossa colheita no campo. Se a nossa renda é o nosso salário, devolvemos nosso Dízimo como primeiro gesto de gratidão a Deus, logo que recebemos o nosso salário. Se a nossa renda for o fruto da renda de algum bem, daremos o dízimo da nossa renda ao receber o que ganhamos com a venda daquele bem.

A Oferta é livre, não tem momento certo, depende da necessidade de quem solicita e da disponibilidade de quem oferece. O Dízimo tem um destino certo: a Igreja de Jesus cristo, para a realização da obra de Deus, de acordo com um plano pastoral que abrange a dimensão religiosa, social e missionária. Este plano tem continuidade, não pode sofrer interrupções, por isso deve contar com recursos regulares. É o Dízimo que deve sustentar o plano pastoral da Igreja para a realização da obra de Deus. As ofertas se destinam geralmente para a realização de obras complementares ou para socorrer alguma emergência pessoal ou comunitária, ou ajudar o plano pastoral da Igreja, mas como acréscimo ao Dízimo, que constitui a pastoral de sustentação da vida paroquial.

A Pastoral do Dízimo é social e missionária. Este plano tem continuidade, não pode sofrer interrupções, por isso deve contar com recursos regulares. É o Dízimo que deve sustentar o plano pastoral da Igreja para a realização da obra de Deus. As ofertas se destinam geralmente para a realização de obras complementares ou para socorrer alguma emergência pessoal ou comunitária, ou ajudar o plano pastoral da Igreja, mas como acréscimo ao Dízimo, que constitui a pastoral de sustentação da vida paroquial.


O Dízimo: Para onde vai?


O dízimo, todo ele, é investido na Igreja. Uma pequena porcentagem (10%) é entregue à Cúria Diocesana, que está a serviço das comunidades. O restante é dividido entre a comunidade doadora e a sede paroquial.

É bom saber que o Dízimo tem destino certo. Ele é direcionado para seis dimensões da obra evangelizadora.

A primeira é a dimensão litúrgica, nas despesas com o culto: toalhas, velas, flores, folhas de canto, luz, água, vinho, hóstias....

A segunda é a dimensão Pastoral, nas despesas com as pastorais: catequese, retiros, livros, cartazes...

A terceira é a dimensão Comunitária, na remuneração dos padres, dos funcionários, manutenção do prédio, da casa paroquial, da secretaria...

A quarta é a dimensão Social, na promoção humana e social, pobres, idosos, crianças, dependentes químicos...

A quinta é a dimensão Missionária, na colaboração com as paróquias pobres da diocese e de outras dioceses, com as missões...

E a sexta é a dimensão Vocacional, na formação de lideranças, novos padres, Ministros, catequistas...


"Pagai o dízimo e verás se não abrirei as janelas do céu e não derramarei sobre vós bênção em abundância". (Malaquias 3,10)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Guia sobre o procedimento nos casos de abusos sexuais


Vatican Information Service


.: Acesse aqui o texto original

A legislação aplicável é o Motu Proprio "Sacramentorum Sanctitatis tutela" (MP SST), de 30 de abril de 2001, juntamente com o Código de Direito Canônico, de 1983. Este é um guia introdutório que pode ser útil aos leigos e não canonistas.

A. Procedimentos preliminares

A diocese local investiga todas as denúncias de abuso sexual contra um menor por parte de um clérigo.

Se a acusação é plausível, o caso é remetido à Congregação para a Doutrina da Fé (CDF). O bispo local transmite toda a informação necessária à CDF e expressa sua opinião sobre os procedimentos que devem se seguir e as medidas que se adotarão em curto e a longo prazo.

Deve sempre seguir-se o direito civil em matéria de informação dos delitos às autoridades competentes.

Durante a etapa preliminar e até que o caso se conclua, o bispo pode impor medidas cautelares para salvaguardar a comunidade, incluindo as vítimas. De fato, o bispo local sempre tem o poder de proteger as crianças mediante a restrição das atividades de qualquer sacerdote de sua diocese. Isso faz parte de sua autoridade ordinária, que o leva a exercer qualquer medida necessária para assegurar que não se faça dano aos pequenos e este poder pode ser exercido a critério do bispo antes, durante e depois de qualquer procedimento canônico.

B. Procedimentos autorizados pela CDF

A CDF estuda o caso apresentado pelo bispo local e também pede informação complementar quando seja necessário.
A CDF tem uma série de opções:

B1 Processos Penais

A CDF poderá autorizar que o bispo local leve a cabo um processo penal judicial mediante um tribunal local da Igreja. Todo recurso, nesses casos, esse tribunal submeteria a um tribunal da CDF.

A CDF poderá autorizar ao bispo local que leve a cabo um processo penal administrativo ante um delegado do bispo local com a assistência de dois assessores. O sacerdote acusado é chamado a responder às acusações e a revisar as provas. O acusado tem o direito de apresentar recurso à CDF contra o decreto que o condene a uma pena canônica. A decisão dos cardeais membros da CDF é definitiva.

No caso em que o clérigo seja julgado culpável, tanto os processos penais judiciais quanto administrativos podem condená-lo a uma série de penas canônicas, a mais grave das quais é a expulsão do estado clerical. A questão dos danos tambén se pode tratar diretamente durante esses procedimentos.

B2 Casos referidos diretamente ao Santo Padre

Em casos muito graves, em que o juízo penal civil tenha declarado culpado o clérigo de abuso sexual contra menores de idade, ou quando as provas são esmagaadoras, a CDF pode optar por levar o caso diretamente ao Santo Padre, com o pedido de que o Papa promulgue, com um decreto "ex officio", a expulsão do estado clerical. Não há recurso canônico contra tal decisão pontifícia.

A CDF também apresenta ao Santo Padre solicitações dos sacerdotes acusados que, tendo reconhecido seus delitos, pedem a dispensa da obrigação do sacerdócio e desejam voltar ao estado laical. O Santo Padre concede essas petições para o bem da Igreja ("pro bono Ecclesiae").


B3 Medidas disciplinares


Nos casos em que o sacerdote acusado tenha admitido seus delitos e aceitado viver uma vida de oração e penitência, a CDF autoriza o bispo local a emitir um decreto que proiba ou restrinja o ministério público de tal sacerdote. Esses decretos impõem um preceito penal que implica uma pena canônica em caso da violação das condições do decreto, sem excluir a expulsão do estado clerical. O recurso administrativo ante a CDF é possível com tais decretos. A decisão da CDF é definitiva.


C. Revisão do MP SST
Desde algum tempo a CDF empreendeu uma revisão de alguns artigos do Motu Proprio "Sacramentorum Sanctitatis tutela", com o fim de atualizar tal Motu Proprio, de 2001, à luz das faculdades especiais concedidas à CDF pelos Papas João Paulo II e Bento XVI. As modificações propostas por essa discussão não mudarão os procedimentos antes mencionados (A, B1-B3).

Fonte :Cancão Nova (tradução de CN Notícias)

quarta-feira, 17 de março de 2010

IGREJA NO BRASIL GRITA CONTRA PROGRAMA “ANTI-CRISTÃO” DE DIREITOS HUMANOS DO GOVERNO!!

IGREJA NO BRASIL GRITA CONTRA PROGRAMA “ANTI-CRISTÃO” DE DIREITOS HUMANOS DO GOVERNO!!


A Paz de Cristo, irmãos!



Você, que é cristão, que é católico, que é evangélico, sabe que somos a maioria esmagadora do povo brasileiro. Porém, uma pequena minoria, que conta com o apoio de alguns poderosos, inclusive alguns meios de comunicação, estão tentando se passar por maioria e deformar a face do Brasil.



Somos maioria, somente que estamos muito calados e, inexplicavelmente, indiferentes diante das aberrações que estão tentando impôr ao Brasil, e portanto, às nossas vidas, e às de nossos familiares.



E hora de orar e jejuar pelo que está acontecendo, mas também “botar a boca no trombone!”

Fale para as pessoas na sua casa, na sua escola, na faculdade, no seu trabalho, na sua vizinhança, na sua paróquia, no seu grupo de oração!



A IGREJA NO BRASIL JÁ ESTÁ GRITANDO CONTRA O PNDH-3!!



Não pequemos por omissão hoje, em Nome de Jesus! Amanhã, pode ser tarde…



Veja o pronunciamento de mais de SESSENTA BISPOS do Brasil a respeito do anti-democrático, e anti-cristão, PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS (foi publicado no blog do Professor Felipe Aquino):



Pronunciamento acerca do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos



Nós abaixo-assinados, impelidos por nosso dever pastoral como Bispos católicos, provenientes de várias regiões do País, reunidos em um encontro de atualização pastoral – prosseguindo a tradição profética da Igreja Católica no Brasil que, nos momentos mais significativos da história de nosso País, sempre se manifestou em favor da democracia, dos legítimos direitos humanos e do bem comum da sociedade, em continuidade com a Declaração da CNBB do dia 15 de Janeiro de 2010 e com a Nota da Comissão Episcopal de Pastoral para a Vida e a Família e em consonância com os pareceres emitidos por diversos segmentos da sociedade brasileira feridos pelo III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), assinado pelo Preside nte da República no dia 21 de dezembro de 2009 – nos vemos no dever de manifestar publicamente nossa rejeição a determinados pontos deste Programa.



Diz a referida Declaração: “A CNBB reafirma sua posição muitas vezes manifestada em defesa da vida e da família e contrária à discriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homo-afetivos. Rejeita, também, a criação de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União, pois considera que tal medida intolerante, pretende ignorar nossas raízes históricas”.



Não podemos aceitar que o legítimo direito humano, já reconhecido na Declaração de 1948, de liberdade religiosa em todos os niveis, inclusive o público, possa ser cerceado pela imposição ideológica que pretende reduzir a manifestação religiosa a um âmbito exclusivamente privado. Os símbolos religiosos expressam a alma do povo brasileiro e são manifestação das raízes históricas cristãs que ninguém tem o direito de cancelar.



Há propostas que banalizam a vida, descaracterizam a instituição familiar do matrimônio, cerceiam a liberdade de expressão na imprensa, reduzem as garantias jurídicas da propriedade privada, limitam o exercício do poder judiciário, como ainda correm o perigo de reacendar conflitos sociais já pacificados com a lei da anistia. Estas propostas constituem, portanto, ameaça à própria paz social.



Fazemos nossas as palavras do Cardeal Dom Geraldo Majela Agnelo, Primaz do Brasil, referidas à proposta de discriminalização do aborto, mas extensivas aos demais aspectos negativos do programa. O PNHD 3 “pretende fazer passar como direito universal a vontade de uma minoria, já que a maioria da população brasileira manifestou explicitamente sua vontade contrária. Fazer aprovar por decreto o que já foi rechaçado repetidas vezes por orgãos legitimos traz à tona métodos autoritários, dos quais com muito sacrifício nos libertamos ao restabelecer a democracia no Brasil na década de 80”.



“Firmes na esperança, pacientes na tribulação, constantes na oração” (Rm 12, 12), confiamos a Deus, Senhor supremo da Vida e da História, os rumos de nossa Pátria brasileira.



Rio de Janeiro, 28 de Janeiro de 2010.



+ Alano Maria Pena, Arcebispo de Niteroi, RJ



+ Francisco de Assis Dantas de Lucena, Bispo de Guarabira



+ Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica S. João Maria Vianney, Campos, RJ



+ Benedito Gonçalves Santos, Bispo de Presidente Prudente, SP



+ Joaquim Carreira, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP



+ Juarez Silva, Bispo de Oeiras, PI



+ Manoel Pestana Filho, Bispo emérito de Anápolis, GO



+ José Moreira da Silva, Bispo de Januária, MG



+ Tarcísio Nascentes dos Santos, Bispo de Divinópolis, MG



+ Guiliano Frigenni, Bispo de Parintins, AM



+ Paulo Francisco Machado, Bispo de Uberlândia



+ Gilberto Pastana de Oliveira, Bispo de Imperatriz, MA



+ Philipe Dickmans, Bispo de Miracema, TO



+ Edney Gouvêa Mattoso, Bispo eleito de Nova Friburgo, RJ



+ Carlos Alberto dos Santos, Bispo de Teixeira de Freitas – Caravelas, BA



+ Walter Michael Ebejer, Bispo emérito de União da Vitória, PR



+ José Antônio Peruzzo, Bispo de Palmas – Francisco Beltrão, PR



+ Franco Cuter, Bispo de Grajaú, MA



+ Karl Josef Romer, Secretário emérito do Pontifício Conselho para a Família



+ Roberto Lopes, Abade do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro, RJ



+ Orani João Tempesta OCist., Arcebispo do Rio de Janeiro, RJ



+ Eugenio de Araujo Card. Sales, Arcebispo emérito do Rio de Janeiro, RJ



+ João Carlos Petrini, Bispo Auxiliar de São Salvador da Bahia



+ Luciano Bergamin, Bispo de Nova Iguaçu, RJ



+ Antônio Augusto Dias Duarte, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, RJ



+ Wilson Tadeu Jönck, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro



+ Pedro Brito Guimarães, Bispo de São Raimundo Nonato, PI



+ Fernando Guimarães, Bispo de Garanhuns, PE



+ Salvador Paruzzo, Bispo de Ourinhos, SP



+ José Moureira de Mello, Bispo de Itapeva, SP



+ José Francisco Rezende Dias, Bispo de Duque de Caxias, RJ



+ Laurindo Guizzardi, Bispo de Foz do Iguaçu, PR



+ Gornônio Alves da Encarnação Neto, Bispo de Itapetininga, SP



+ Carmo João Rhoden, Bispo de Taubaté, SP



+ Ceslau Stanula, Bispo de Itabuna, BA



+ João Bosco de Sousa, Bispo de União da Vitória, PR]



+ Osvino José Both, Arcebispo Militar do Brasil, BSB



+ Capistrano Francisco Heim, Bispo Prelado de Itaituba, PA



+ Aldo di Cillo Pagotto, Arcebispo da Paraíba, PB



+ Gil Antonio Moreira, Arcebispo de Juiz de Fora, MG



+ Moacir Silva, Bispo de São José dos Campos, SP



+ Diamantino Prata de Carvalho, Bispo de Campanha, MG



+ Caetano Ferrari, Bispo de Bauru, SP



+ Aléssio Saccardo, Bispo de Ponta de Pedras, PA



+ Heitor de Araújo Sales, Arcebispo emérito de Natal, RN



+ Matias Patrício de Macêdo, Arcebispo de Natal, RN



+ Geraldo Dantas de Andrade, Bispo auxiliar de São Luis do Maranhão, MA



+ Bonifácio Piccinini, Arcebispo emérito de Cuiabá, MT



+ Tarcísio Scamarussa, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP



+ Celso José Pinto da Silva, Arcebispo emérito de Teresina, PI



+ José Palmeira Lessa, Arcebispo de Aracaju, SE



+ Antônio Carlos Altieri, Bispo de Caraguatatuba, SP



+ Aloisio Hilário de Pinho, Bispo emérito de Jataí, GO



+ Guilherme Porto, Bispo de Sete Lagoas, MG



+ Adalberto Paulo da Silva, Bispo Auxiliar emérito de Fortaleza, CE



+ Bruno Pedron, Bispo de Ji-Paraná, RO



+ Fernando Mason, Bispo de Piracicaba, SP



+ João Mamede Filho, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP



+ José Maria Pires, Arcebispo emérito de Paraíba, PB



+ Alfredo Schaffler, Bispo de Parnaíba, PI



+ João Messi, Bispo de Barra do Piraí – Volta Redonda, RJ



+ Friederich Heimler, Bispo de Cruz Alta, RS



+ Osvaldo Giuntini, Bispo de Marília, SP



+ Assis Lopes, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ



+ Edson de Castro Homem, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ



+Alessandro Ruffinoni, Bispo auxiliar de Porto Alegre, RS



+ Leonardo Menezes da Silva, Bispo auxiliar de Salvador, BA